PM investigado, R$ 106 milhões movimentados, carros de luxo, gerente de banco que facilitava: os detalhes da operação Select

Foto: Divulgação/Polícia Civil
A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (8), uma grande operação para desarticular uma organização criminosa investigada pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. O grupo utilizava “laranjas” para abertura de contas bancárias. Ao todo, três pessoas foram presas e vários veículos de luxo foram apreendidos na ação.
A operação foi denominada “Select” em alusão ao banco privado no qual aconteciam as fraudes bancárias. O delegado Juarez Maynard, da Deicor, explicou como o grupo agia. Segundo ele, uma gerente era responsável por facilitar a abertura das contas nos nomes dos terceiros.
“Esse grupo criminoso arregimentava laranjas e levava até agência bancária com a anuência de uma gerente que participava do grupo. A partir do momento em que eles tinham acesso a essas contadas, eles realizavam diversas transações financeiras, compravam veículos de luxo, para movimentar esse dinheiro auferido no golpe. Também utilizavam cartões em alguns comércios simulando compra de mercadorias e pegando o dinheiro em espécie”, esclareceu.
“Ela é gerente de um banco privado e facilitava a abertura dessas contas. É uma agência exclusiva. AS contas que eram abertas tinham um grande limite para utilização. Em alguns caso, até ilimitado”, ampliou o delegado.
Em pouco mais de cinco anos, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 100 milhões. “A gente conseguiu levantar até o momento que os investigados e outras empresas que são utilizadas para lavar o dinheiro dos golpes que, de outubro de 2019 até novembro de 2024, movimentaram cerca de R$ 106 milhões”, pontuou o delegado.
Ele frisou ainda que uma das principais ações era a compra de carros de luxo. “Uma das características desse grupo era investir dinheiro com os golpes em veículos de luxo. Durante as investigações, a gente percebeu que eles têm um grande fluxo de carro. No momento das buscas, conseguimos apreender alguns veículos de luxo. Inclusive, mais de um veículo com cada investigado”, detalhou.
Uma das prisões aconteceu em um condomínio de luxo no bairro Lagoa Nova. O homem preso morava na cobertura do prédio, com direito a seis vagas de garagem. Todas estavam ocupadas por veículos de luxo. Além disso, a Polícia Civil apontou que ele chegou ao local há dois meses, assumindo uma dívida de R$ 50 mil.
Além deles, mais duas pessoas foram presas, incluindo um empresário do ramo de bebidas e alimentos. Segundo o delegado, a empresa dele era utilizada para a lavagem do dinheiro. “Ele realmente tinha essa empresa, realmente vende produtos de bebidas e alimentos, mas também era utilizada para lavar o dinheiro do grupo criminoso”, destacou Maynard.
Um policial militar é investigado, mas não foi preso. “Um dos investigados é um policial militar. Ele não foi preso, não tinha mandado de prisão contra ele. Mas ele está sendo investigado por participar do grupo criminoso, realizar transações com esses cartões e cuidar da parte financeira da organização”, acrescentou.
“São três presos. Eles foram presos por questão de flagrante, não foram mandados de prisão da investigação. Foram presos por porte ou posse de munição e arma de fogo. Um dos investigados também foi preso por embaraçar a investigação, pois ele quebrou o celular no momento das buscas”, finalizou o delegado.
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