Pacientes morrem durante surto de superbactéria em hospital de Macaíba, mas Secretaria de Saúde do RN diz que não é possível confirmar relação

Foto: Reprodução/TV Tropical
Um surto de uma superbactéria foi identificado no Hospital Regional Alfredo Mesquita, em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal. Ao todo, 16 casos foram registrados envolvendo 15 pacientes durante o período de circulação da bactéria na unidade. Oito pacientes morreram enquanto o surto estava ativo. No entanto, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap/RN) afirma que não há mortes comprovadamente associadas à superbactéria.
Dos 15 pacientes, dois permanecem no Alfredo Mesquita. Uma paciente está na enfermaria. Outro paciente iniciou o tratamento com um novo ciclo de antibióticos. Um documento foi emitido na segunda semana de agosto pela Comissão de Controle e Infecção Hospital e pelo Núcleo de Segurança do Paciente.
“O relatório da Comissão de Infeccção Hospitalar coloca o desfecho de cada caso. No final do caso, quando coloca o nome do paciente, a infecção e o desfecho, alguns casos foram de óbito. Outros casos foram de alta ou transferência. Não é possível assegurar que os óbitos foram por causa da bactéria”, afirmou Leidiane Queiroz, secretária adjunta da Sesap.
A superbactéria é caracterizada por ser resistente ao tratamento com vários tipos e ciclos de antibióticos. A transmissão ocorre por meio de contato. Por isso, a necessidade da realização de uma higienização completa nos locais em que os pacientes estavam. A secretaria não confirmou quantos ou mais ambientes foram isolados, mas citou que houve essa necessidade entre maio e julho.
“O hospital não está com área isolada neste momento. Pelo menos a gestão do hospital nos informou isso. Tem uma paciente egressa, que teve alta da UTI e está na enfermaria, mas não tem mais a transmissão da doença, sequer faz uso de medicamento. Nós temos um paciente dentro da UTI que está concluindo mais um ciclo de antibioticoterapia, com recomendação do infectologista para garantir, já que é uma bactéria ultraresistente, que esse paciente fique longe de qualquer risco de contaminação”, esclareceu.
Hospital João Machado
Outro caso envolvendo a necessidade do isolamento de áreas hospitalares em unidades do sistema estadual aconteceu no Hospital João Machado, no bairro Tirol, zona Leste de Natal. A unidade possui leitos de retaguarda para o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. O Conselho de Enfermagem recebeu vídeos gravados por servidores do hospital, mostrando a situação da estrutura.
Segundo os relatos, os ambientes utilizados pelos funcionários estão inadequados para a saúde dos pacientes e funcionários. As irregularidades atingem diferentes pontos da Clínica Médica 2, incluindo enfermaria, corredores, banheiros, posto de enfermagem e áreas utilizadas para descando e alimentação dos profissionais. Esse local precisou ser isolado.
De acordo com a secretária adjunta, uma equipe de engenharia deve seguir pela próxima semana trabalhando nessa área específica do Hospital João Machado para liberar ainda no fim do mês toda essa ala, com os leitos que atualmente estão bloqueados por causa do mofo.
“É um hospital bem arborizado que faz com que, em uma certa frequência, no período de chuva, algumas áreas fiquem úmidas. Por essa razão, acaba favorecendo a existência de mofo. Isso faz com que hoje, no hospital, nós tenhamos uma equipe terceirizada para fazer as adequações, também tem uma equipe de serviço do próprio hospital para que a gente consiga mitigar as consequências das chuvas, que fazem com que alguns ambientes, como foi o caso da Clínica Médica 2, tivesse os postos de enfermagem com o maior grau de infiltração, dificultando o trabalho dos profissionais”, completou Leidiane Queiroz.
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